Robin Hood – Resenha

“O príncipe João, acompanhado de toda sua corte está visitando Notingham. Nas próximas três semanas haverá grandes festejos com fartos banquetes. Essa é uma boa oportunidade para os camponeses visitarem a cidade murada e fazerem bons negócios. Eles poderão vender batatas, frutas e galinhas que serão consumidas nos banquetes. Mas alguns vão aproveitar a oportunidade para vender mercadoria ‘ilegal’ ao pessoal da corte: hidromel fabricado clandestinamente, sedas e jóias roubadas por Robin Hood e seu bando.

Caixa do jogo

O Xerife de Notingham quer aproveitar para tirar tudo que pode dos camponeses e por isso decidiu comandar ele mesmo a revista na entrada da cidade. Ele está certo que também poderá fazer bons negócios, afinal, o príncipe João está oferecendo uma recompensa para cada mercadoria ‘ilegal’ que for apreendida.

Durante a partida, os jogadores vão se alternar no papel de camponeses e xerife. Ao final das três semanas de festejos, vence quem acumular mais dinheiro!”

Esse é o release oficial de Robin Hood, o novo jogo da Galápagos. Criado pelos brasileiríssimos Sérgio Halaban e André Zatz. o jogo é na verdade uma releitura de um que saiu há muito tempo aqui no Brasil pela Estrela, o “Jogo da Fronteira”.  Acontece que o jogo foi considerado “polêmico” e proibido. Explico: o Jogo da Fronteira original tinha como tema o transporte de mercadorias pela fronteira do país, e a Receita Federal considerou impróprio, alegando que isso incentivava o contrabando. Com isso, as unidades foram recolhidas e o jogo teve que receber nova roupagem, com tema ligeiramente diferente, para ser publicado aqui.

É importante notar que, na Europa, o jogo recebeu prêmios e foi publicado por uma importante editora alemã. Sem gerar nenhum tipo de problema, sem ter jogos removidos das prateleiras.

Após as devidas alfinetadas, vamos ao jogo propriamente dito:

Os componentes de Robin Hood são cartas, fichas cartonadas variadas (marcadores, fichas de dinheiro) e 5 saquinhos de tecido, um para cada jogador. Aqui vale a pena dizer que os componentes são de altíssima qualidade. Muito sólidas, as fichas são extremamente duráveis. As cartas também são de excelente qualidade, nota dez pelo custo-benefício geral. A própria caixa do jogo é de um papelão de boa diagramatura, resistente.

Detalhe para as bolsinhas que acompanham o jogo

O jogo é muito simples e lembra muito um jogo de baralho conhecido como “Duvido” ou “Bullshit”. Ele é dividido em três rodadas, cada uma delas corresponde a uma semana de festejos. Em cada semana todos os jogadores devem assumir a vez do Xerife uma vez (duas para 3 jogadores). Os outros jogadores serão camponeses que estão transportanto suas mercadorias para dentro do castelo. Cada jogador só pode levar um tipo de mercadoria.

As cartas representam então essas mercadorias. Porém, um detalhe é que das 6 mercadorias possíveis, três são ilegais: bebidas, tecidos e jóias. Os jogadores só podem, portanto, declarar estarem levando batatas, frango ou frutas. Cada jogador, começando pelo seguinte ao xerife da vez, deve então colocar um número X de cartas dentro de um saquinho e declarar qual mercadoria está levando, olhando para o xerife. Ao centro da mesa há as carroças que levam 2, 3, 4 ou 5 mercadorias. O jogador deve pegar a carroça correspondente ao número de bens declarado, de forma que os outros jogadores não poderão usar a mesma carroça naquela rodada. Sempre é possivel, no entanto, declarar que está levando apenas 1 item, nas costas.

Após todos os jogadores declararem a quantidade e o tipo de mercadoria que estão transportanto o Xerife pode escolher um deles para ser inspecionado. O selecionado deve então tirar suas cartas da bolsa e revelá-las. Duas coisas podem acontecer então:

1) As cartas correspondem exatamente ao que o jogador declarou. Caso isso aconteça, o jogador irá receber uma indenização para cada carta que possuia.

2) As cartas não correspondem à totalidade do que foi declado e portanto o jogador deve pagar tributos pelas mercadorias que tentou contrabandear. Se alguma das cartas for do tipo declarado, o jogador a mantém. As cartas que diferirem serão então descartadas.

Além disso, caso alguma das cartas inspecionadas seja de itens ilegais o Xerife recebe um tributo da Coroa por ter conseguido interceptá-los. Esse dinheiro vai do banco para o jogador do Xerife.

Os jogadores não inspecionados colocam então as cartas da rodada separadas sobre sua ficha de camponês (o jogador inspecionado faz o mesmo com as cartas que correspondiam à sua declaração original).

Algumas mercadorias "contrabandeaveis"

Quando todos tiverem exercido a função de Xerife, as cartas separadas serão então vendidas. Cada jogador descarta todas as cartas que acumulou até aquele momento e em troca pega o valor das mercadorias em dinheiro, do banco. Uma nova rodada inicia-se, com o jogador com menor quantidade de dinheiro escolhendo quem será o primeiro Xerife. Após 3 rodadas, conta-se o dinheiro e o mais rico é o vencedor.

Esse é o jogo básico. Existe também a possibilidade de um jogo avançado. Nesse caso, após cada uma das 3 rodadas os jogadores podem escolher não vender até 3 dos seus produtos para tentarem vender no festival que ocorrerá mais para frente. No festival as mercadorias podem ser vendidas pelo dobro do preço.

É mais arriscado, uma vez que há um limite de mercadorias de cada tipo que pode ser vendido pelo dobro do preço e a prioridade é sempre do jogador que possuir mais daquela mercadoria. O modo avançado adiciona uma pitada a mais de estratégia e risco.

Além de toda essa mecânica, ambos os modos possuem também marcadores que dão habilidades especiais aos jogadores. Cada um recebe uma ficha de cada uma das seguintes:

– O assistente do Xerife: permite ao Xerife inspecionar o conteúdo da bolsa de um jogador extra, gastando assim a ficha.

– Confisco em nome do Rei: essa ficha permite ao Xerife pegar uma das bolsas, olhar seu conteúdo sem revelar para os outros jogadores e, caso alguma das mercadorias não corresponda ao que foi anunciado pela vítima, ele TOMA para si. Não há pagamento de multa ou premiação por encontrar contrabandos. O que corresponder ao que foi anunciado é devolvido ao jogador original.

– Robin Hood: Ao gastar essa ficha, o camponês pode descartar quantas cartas quiser da sua mão e sacar a mesma quantidade da pilha, antes de começarem as apostas. Essa ficha permite um elemento surpresa a mais no jogo e não faz parte do Jogo da Fronteira original.

Robin Hood é rápido e dinâmico depois que se pega o jeito. As apostas são rapidamente concluidas, os blefes cada vez mais precisos. O jogo é muito fácil e divertido.

Seus pontos negativos ficam por conta de um deslize de produção: Não sei pq o jogo veio com uma grande quantidade de fichas de 50, e um número baixo de fichas de 1 e 2, que são, teoricamente mais importantes. Tanto é que o manual indica a configuração de moedas com que cada jogador deve começar, mas não tem o suficiente, nessa configuração, para mais do que 3 jogadores. Tirando isso, Robin Hood merece ser conferido e aproveitado.

Fichas de Robin Hood - um "twist" a mais na nova versão

About Igor "Bone" Toscano

Já foi MIB da SJGames, playtester, tradutor, revisor, organizador de eventos locais. Só falta mesmo publicar um jogo.
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