Resenha: Pássaros

“Pássaros” é o mais recente lançamento da Ceilikan jogos, uma pequena empresa de jogos nacionais, que lançou os ótimos “Samurai” (do alemão Reiner Knizia, criador de vários jogos premiados como “Lord of the Rings” e “Taj Mahal”) e “Ouro de Tolos“, nacionalíssimo. Como esse último lançamento, que descreverei a seguir.

Adotarei um formato mais tradicional para essa resenha, para fins didáticos e pra testar como fica o formato.

Caixa de "Pássaros"

Descrição Geral: “Pássaros”, como dito acima, é um jogo nacional, criado por Marcos Macri, estreante no design de jogos. O verso da caixa trás as seguintes palavras:

“O sonho de voar, alcançado pelo homem sempre esteve ao alcance das Aves, talvez por isso elas exercem tanto fascínio no homem, que adora observá-las.

Em “Pássaros”, você é um fotógrafo destas incríveis criaturas, competindo com seus pares pela mais valiosa coleção de fotos em um jogo de estratégia que vai encantar de 2 a 5 iniciantes no modo básico ou 2 a 4 jogadores veteranos no modo avançado.”

Conteúdo: “Pássaros” vem em uma caixa nos mesmissimos moldes de “Ouro de Tolos”. Entretanto, a qualidade do material da caixa é bem melhor, ela é brilhante (enquanto a do OdT é fosca) e não tem os problemas de abrir e fechar que o seu predecessor. Ponto para a Ceilikan por ajustar as medidas para não ficarem muito justas, algo que muita gente reclamou no jogo anterior.

Abrindo-se a caixa, temos um tabuleiro, várias fichas, uma caixinha com as cartas, as regras, peões e um mini-tabuleiro para os jogadores marcarem os pontos.

Para começar, as cartas: a caixinha foi um ótimo acerto. Apesar de bem frágil. é uma ótima maneira de organizar tudo na hora de guardar. A qualidade das cartas é ótima. Além disso, há algumas cartas extras com informações sobre as aves do jogo, que é bem interessante, apesar de que a fonte preta nas ilustrações dificultaram a leitura, especialmente no caso do Tucano de Bico-Verde, Bem-te-Vi e ainda mais drasticamente no Sabiá. Nada que compromete a jogabilidade, entretanto.

As fichas: Mais uma vez, um acerto. Muito foi reclamado que no OdT as fichas vieram cortadas tortas, mas em “Pássaros” isso não ocorre. Está tudo bem centralizado. A qualidade do material é ótima e faz vista. Temos dois tipos de ficha: as das aves, que são usadas em todas as partidas, e as especiais, que fazem parte do modo avançado.

Assim como as cartas mencionadas acima, as fichas representam alguma dificuldade para serem diferenciadas. As imagens de algumas aves são pequenas e requerem um cuidado minuncioso dos jogadores para certificar-se de qual se trata. Um problema menor, mas bem chato.

O tabuleiro: não é muito grande, mas é bem resistente. A arte é um pouco esquisita, especialmente os detalhes sobre o mapa, que representam a flora dos estados, mas novamente, nada que comprometa o jogo. Os pássaros coloridos com lápis de cor foram uma boa ideia, apesar de tudo. O problema do tabuleiro é só o fato de ele ficar um pouco “empenado” durante a partida, o que dificulta a colocação das peças nele, parte essencial do jogo.

Os peões são em forma de tucano. E eles são muito, muito feios! Parece que foram mal cortados e no fim ficaram com um aspecto muito mutante e esquisito. E eles não param em pé direito, são muito desajeitados. Não que você não possa usar qualquer outro peão daquele seu antigo Ludo que está abandonado, mas ainda assim, um vacilo.

Os feios peões do jogo

As tabelas para marcar os pontos são bonitas, apesar de muito finas, cumprem bem o seu papel.

E, deixo para o final para dar destaque especial ao manual de regras. Uma evolução constante nos jogos da Ceilikan, pois o dos outros jogos eram em preto e branco e bem toscos (em aspecto). Aqui não: o manual é colorido. Além de ser bem claro quanto as regras, com vários exemplos e imagens ilustrativos.

Conferidos todos os componentes, é hora de jogar

Jogabilidade: “Pássaros” possui duas modalidades de jogo: o básico o avançado. As diferenças são poucas: no modo básico até cinco jogadores são possíveis, enquanto no avançado o máximo é quatro. O modo avançado tem regras para mais interação e estratégia, usando as fichas especiais.

Em geral, entretanto, o jogo segue uma mesma fórmula: cada participante coloca seu peão em uma região qualquer do mapa/tabuleiro, sorteam-se quais aves serão colocadas em cada local do mapa (o número de cada ave varia de acordo com o número de jogadores) e cada um recebe uma pilha de baralho com 20 cartas cada. Em cada pilha encontram-se as mesmas cartas, mas a ordem em que eles saem é o que provoca a diferença entre as partidas, de maneira que os jogadores precisam planejar suas estratégias baseadas nessa ordem.

Em cada carta há varias informações: movimento, quais aves podem ser fotografadas com aquela carta, ações especiais (do modo avançado) que os jogadores podem realizar naquela rodada e um suprimento que pode ser guardado para marcar mais pontos.

Apesar de parecer muita informação em princípio, o jogo é simples e consegue utilizar bem o espaço da carta para cada componente.

O Jogo Básico: O jogo consiste de 5 rodadas, cada uma delas formada por 4 turnos. Em cada turno, o jogador pega 4 cartas, das quais utilizará apenas 3. A restante será guardada e pode valer pontos extras no final.

Nessa modalidade, o jogador pode, ao jogar uma carta, decidir se vai fotografar e mover-se ou vice-versa. Ele NÃO pode mover, fotografar e continuar movendo. Cada região conta como 1 do seu movimento, mas ele não é obrigado a se mover, mesmo que jogue uma carta que possua movimento diferente de 0.

Ao fotografar, o jogador pega a ficha da ave e a coloca no cartão de memória mais próximo localizado no tabuleiro. Ao final de cada rodada (composto de 4 turno) ele irá esvaziar o seu cartão de memória e colocar as fichas na sua tabela de pontuação.

Apesar de serem 4 cartas por rodada, o jogador apenas joga três. O quarto turno de um jogador consiste apenas em “guardar” uma carta para contabilizar no final do jogo.

Ao fim de cada rodada o tabuleiro é preenchido novamente com as aves. cada jogador compra novamente 4 cartas.

Após as 5 rodadas, os jogadores contam seus pontos e aquele que possuir mais é o vencedor.

Os jogadores marcam pontos: se marcarem trios (de uma mesma ave), grupos (uma ave de cada tipo) e pelas cartas guardadas. Cada dupla ou trio de suprimentos vale pontos extras.

Modo Avançado: O número de rodadas, de turno e de cartas é o mesmo no modo avançado. O que muda é que, ao se jogar uma carta, o jogador deve fazer EM ORDEM o movimento de seu peão pelo tabuleiro, fotografar e a ação especial da carta.

As ações especiais podem ser: mover uma ou duas aves de uma região para outra, trocar uma ave de lugar com outra no mapa, fazer um jogador perder uma foto no seu cartão de memória e trocar uma foto do cartão de memória de um jogador com uma foto da de outro.

Com isso, entram em jogo as fichas especiais, que permitem aos jogadores trocar a ordem das suas ações em uma rodada (por exemplo, primeiro fazer a ação especial da carta, depois fotografar e depois mover) ou recuperar fotos perdidas ou travar o cartão de memória para que os outros jogadores não possam alterá-lo.

No modo avançado é permitido fotografar 2 aves de uma vez: se você jogar uma carta e a região em que se encontra possuir APENAS aqueles tipos de ave que você deseja, é possível fotografar as duas de uma vez. Isso permite acumular mais pontos e fazer jogadas mais estratégicas.

Os pontos são computados de maneira semelhante ao jogo básico, com as seguintes adições: os jogadores marcam pontos se possuirem a maioria de cada um dos três grupos de aves: os passarinhos, as araras e os tucanos. Além disso, fichas especiais não utilizadas valem pontos extras.

Essa simplificação parece confusa quando explicada, mas funciona muito bem ao se ler o manual (que pode ser baixado aqui) e olhando-se as cartas e tabelas de ponto, que são muito explicativas.

Todos os componentes do jogo.

Avaliação Geral: “Pássaros” é ótimo. Possui estratégia na medida certa, muitas possibilidades e interação em um jogo muito mais complexo do que aparenta em princípio. Há várias formas de tentar ser o melhor fotógrafo, há muitas escolhas de quais cartas devem ser utlizadas, qual deve ser guardada.

Além disso, o tema ecológico abre a possibilidade de levar o jogo a um novo público, especialmente crianças e isso é um grande mérito de pássaros: por ser um jogo simples, pode ser utilizado como portão de acesso a outros jogos de tabuleiro e como uma forma divertida de ensinar sobre aves e ecologia em sala de aula.

As duas modalidades fazem dele um atrativo tanto para veteranos, que preferem algo mais complexo, quanto iniciantes, que podem se divertir em uma partida rápida do jogo básico.

O jogo tem preço sugerido de 79,90, bem razoável dentro dos padrões de jogos nacionais.

Para terminar, um bônus: O jogo vem também com duas cartas para expansão de Ouro de Tolos, Nitroglicerina! Uma boa maneira de atrair fãs de um jogo para o outro.

About Igor "Bone" Toscano

Já foi MIB da SJGames, playtester, tradutor, revisor, organizador de eventos locais. Só falta mesmo publicar um jogo.
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2 Responses to Resenha: Pássaros

  1. Tiago says:

    Vale a pena resaltar aqui que o Igor foi quem prestou as informações científicas que constam no jogo. Novamente, muito obrigado Igor.

    • Igor Bone says:

      Sempre as ordens, Tiago.

      Aproveito também pra dizer que, apesar dessa “consultoria”, eu não havia jogado ou visto o Pássaros antes de ele ficar pronto e não há nenhuma relação direta entre a minha pessoa e a Ceilikan, a não ser o amor pelos jogos que compartilho com o Tiago.

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