Fiasco RPG – uma resenha

“Esse é Igor Bone escrevendo uma resenha de Fiasco”.

Fiasco é um premiado Rpg indie, lançado originalmente nos EUA pela Bully Pulpit e que acabou de ser traduzido. Alias, fica aqui os parabéns ao Guilherme da RetroPunk por trazer um jogo tão diferente aos tradicionais jogos de mesa a qual estamos acostumados.

Capa e contracapa do livro - versão brasuca

Fiasco é extremamente narrativo. Nele, os jogadores devem criar uma história, com começo meio e fim (mas não necessariamente com uma narrativa linear) e elaborar um “fiasco”. Ou seja, motivadas pelas suas ambições, pessoas comuns vão tentar dar um golpe, algo maior do que eles conseguem, e a coisa vai dar errado. O jogo é baseado em filmes como Fargo, Queime Depois de Ler e outros filmes de golpes que dão errado.

“E cadê o mestre?”, pergunta um. Bem, não há. Ai que está a grande diferença de Fiasco para os jogos de rol que chegaram por aqui.

A mecânica de Fiasco é muito simples: primeiro, escolhe-se um cenário. Isso nada mais é do que uma lista com uma série de possíveis Relações, Objetos, Necessidades e Locações, dentro de um mesmo tema. O jogo vem com 4 cenários prontos, mas é simples criar o seu próprio: cidade sulista, velho oeste, a estação na Antártida, subúrbio.

A partida demora algumas poucas horas e não requer nenhum preparo. Os personagens e situações são todos improvisados, à medida que o jogo vai rolando, usando como base o cenário escolhido. Então não tem essa de “combar” pra fazer o personagem mais poderoso ou perder tempo fazendo ficha. Todo o processo do jogo é colaborativo.

O jogo segue 5 fases principais, que são a Preparação, o Ato Um, a Virada, o Ato 2 e a Conclusão. Cada uma delas tem uma mecânica um pouco diferente:

A Preparação: É o principio de tudo. Aqui, os personagens serão criados. Para isso, cada jogador vai estabelecer uma Relação com o jogador que está a sua direita e uma com o da esquerda. Além disso, cada Relação é acompanhada de um Detalhe (que poder ser um Objeto, uma Necessidade ou uma Locação). Isso é feito de uma forma um pouco aleatória, utilizando-se dados rolados e as tabelas do Cenário escolhido.

Aqui é importante que os jogadores conversem bastante e entrem em sintonia. É vital que todos entendam e visualizem as Relações e os Detalhes, para que a história seja a melhor possível, para que os conflitos comecem a aparecer e a trama desenvolva.

Todos os dados então voltarão para o centro: 4 para cada jogador, sendo que 2 devem ser brancos, 2 pretos (ou pelo menos distintos entre si). Dessa vez eles ficarão em cima da mesa e seu resultado não é importante.

O jogo passa então para…

O Ato Um: Agora sim a história vai realmente começar a se delinear. Os jogadores irão, cada um na sua vez, decidir se querem Estabelecer ou Resolver uma cena. A diferença aqui é crucial: quem Estabelece começa a narrar a cena, mas os outros jogadores que decidirão se, ao final dela, o conflito vai acabar bem ou mal para o personagem. Caso o jogador da vez decida Resolver, os outros jogadores Estabelecem para ele, porém ele escolherá o destino ao terminar a cena.

A ideia aqui é ser dinâmico e direto ao ponto. Cada jogador irá narrar 2 cenas, então elas precisam ser bem planejadas e sem enrolações. Cada cena precisa acrescentar o máximo de riqueza à trama, então os jogadores são livres para sugerir mudanças e acrescentar detalhes. Cada jogador interpreta o seu personagem, mas podem surgir NPCs. Ao final de cada cena, os jogadores não ficam com os dados que eles pegam (se Resolveram) ou que lhe foi dado (se Estabeleceram). O dado é passado a um outro jogador. Isso vai ser importante na hora da…

Virada: A Virada vai acontecer quando metade dos dados iniciais da mesa tiverem sido entregues aos jogadores. Nesse momento, 2 jogadores irão rolar numa tabelinha e escolher os elementos da Virada. Mais caos será adicionado com esses elementos, que devem ser incorporados à história. Aqui, os jogadores fazem uma pausa, trocam algumas ideias, comem alguma coisa porque daqui pra frente tudo vai ficar feio no terrível

Ato Dois: O segundo ato será muito parecido com o primeiro. Os jogadores vão Estabelecer ou Resolver as cenas, alternadamente, e no fim ganhar um dado. A diferença é que, ao invés de entregar esse dado pra alguém como no Ato Um, ele manterá o dado consigo. As coisas darão ainda mais errado quando os elementos da Virada forem inseridos. Espere o pior sempre, quando a merda cair no ventilador.

Mesmo se tudo acabar muito mal, ainda resta a…

Conclusão: É aqui que o destino se entrelaça. Agora, os dados acumulados devem ser rolados, e mais uma tabelinha é consultada. Resultados pretos são fisicos, resultados brancos são mentais ou emocionais. O ideal é ter o maior número possível de dados de uma única cor. Depenedendo do resultado aqui, o desfecho do personagem pode ser trágico, fatal ou pior. Ou ele pode acabar da mesma maneira que começou e, quem sabe, ele pode até se dar bem. A Conclusão é uma montagem de uma série de pequenas cenas que definem esse final. É um prólogo que amarra todas as pontas. É a cereja do bolo.

Capa do cenário nacional Rio 40 Graus

Fiasco é um jogo de muito humor negro, como os filmes em que é baseado, extremamente rápido e dinâmico (especialmente após algumas sessões, quando o grupo já pegou o jeito).

O livro é bem completo para quem não está acostumado: além dos cenários prontos, ele vem com um belo exemplo de jogo (essa parte, com as tabelas, Cenários e exemplo corresponde a mais da metade do livro, na verdade, mostrando o quanto suas regras são simples, mas que sua estrutura é complexa. É dai que vem suas qualidades). Apesar disso, é um livro bem pequeno e de leitura muito fácil.

A RetroPunk mandou muito bem na qualidade do livro: papel, capa são primorosos. Para quem comprou na pré-venda, veio também um cenário nacional, o Rio 40 Graus, um marcador de livro e o pdf.

No site da editora é possível comprar o livro físico, só o pdf ou um pacote com ambos. Além disso, foi prometido que os Cenários extras, que estão disponíveis para download no site da Bully Pulpit, podem ganhar versão em português e disponibilizados.

About Igor "Bone" Toscano

Já foi MIB da SJGames, playtester, tradutor, revisor, organizador de eventos locais. Só falta mesmo publicar um jogo.
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2 Responses to Fiasco RPG – uma resenha

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