World RPG Fest

Um relato tardio, mas sincero e, espero, o mais completo possível sobre a World RPG Fest, um evento de RPG/jogos que aconteceu em Maio na cidade de Curitiba.

A World RPG Fest foi o primeiro evento, em muitos anos, a trazer convidados internacionais da cena RPGística. E nomes de peso, a começar pelo queridissimo Stevie Jackson! Acho que todos os jogadores de RPG sabem de quem se trata: Steve foi o criador do Gurps, o primeiro jogo de interpretação a ter sua versão em português, e que sofreu por anos o infame preconceito de ser “muito complicado”. Ele também bolou o Munchkin, e vários outros jogos.  A SJGames, companhia que ele fundou e gerencia até hoje, cada vez mais busca novos mercados na área de jogos e já faz algum tempo que se dedica pouco ao RPG e mais a card games e outras variedades. Algumas delas já foram discutidas no blog.

Outro convidado de peso, ainda que menor, foi Chris Pramas, que saiu da Wizards of the Coast para fundar a Green Ronin, editora do Mutantes e Malfeitores, Dragon Age (publicados no Brasil pela Jambô), e vários jogos menores (como o divertido Spaceship Zero, que merece um artigo futuro).

Houve também a participação de convidados da cena local: Trevisan, Cláudio Pozas, Guilherme Svaldi, Guilherme Moraes da Retropunk.

A organização do evento está de parabéns: escolheram um ótimo lugar, o Espaço Torres. Bastante fácil de chegar, amplo e que contou com recursos interessantes: um auditório enorme, dois andares, e um auto-falante que anunciava quando as atrações estavam acontecendo. Era fácil saber que uma palestra iria acontecer, qual o tema e os palestrantes. Ponto positivissimo ai!

O que faltou, infelizmente, foi público. O evento foi, por uma coincidência infeliz, organizado no mesmo dia de um evento de anime. Ao invés de tentarem conciliar para que ambos acontecessem no mesmo espaço, houve essa segmentação. Uma pena, pois eventos desse tipo costumam atrair um vasto público e muito diferente dos habituais jogadores, sendo por isso um excelente espaço para a apresentação do universo de jogos.

Outra coisa que faltou foram as lojas. Devido a problemas, a Moonshadows se ausentou e fez muita falta. Na prática, o evento contava com pouquíssimas opções de material para o público, algo impensável. Uma pena, pois caso tivesse sido organizado em São Paulo, ou se tivessem ao menos evitado o conflito com o anime, provavelmente teriam tido um público maior.

Afinal, o que é que TEVE, então? Bom, houve estandes de algumas organizações como o Confraria Lúdica, evento de jogos de tabuleiro chefiada pelo Luiz Cláudio, que fez um belo trabalho de divulgação do hobby junto do Tiago Bueno, da Ceilikan, que tinha o Samurai e Ouro de Tolo para demonstração e ainda tinha o próximo jogo deles em protótipo, pro pessoal conhecer, do Romir, que levou também muito material seu para o pessoal jogar.

Havia também estandes para o Conselho Jedi do ParanáFederação dos Planetas Unidos, Conselho Steampunk, um espaço para degustação e venda do Hidromel Yggdrasill (que é bem gostoso. Eu recomendo o seco, ou o de especiarias se vc gostar MUITO de algo diferente). Todos esses no mesmo espaço, próximos a um palco.

Havia ainda, no segundo andar, salas de video-game. Lá, os retrogamers tinham Mega-Drives, Super-Nes e os sobcontrollers tinham video-games atuais. Apesar de não ter ido ver as salas lá em cima, li relatos que mostraram que foi bom o evento para lá também. Ou seja, variedade foi a alma do negócio.

Para falar a verdade, o que mais esteve em baixa mesmo foram os RPGs. Com tanto jogo diferente de tabuleiro, o pessoal passava e resolvia experimentar coisas diferentes, o que foi bem legal! Mas marcou presença, ainda assim: mesas de Savage Worlds e 3:16 pelo pessoal da Retropunk, o Thiago Hackbarth do GurpsNation com o nosso Pirata, Lasers e Dinossauros, e a adaptação do X-Com, ainda algumas mesas aleatórias de D&D. Quem quis jogar, teve seu espaço.

Claro que, como o SJ estava presente, não poderiam faltar os MIBs e os jogos da sua editora. Levamos em PESO vários jogos e ficamos praticamente 20h (contando os dois dias) demonstrando sem parar. Teve Frag, The Stars Are Right, Illuminati, Cthulhu Dice, Zombie Dice, Revolution! e, óbvio, não poderia faltar, muito, mas MUITO Munchkin! Era o nosso evento de lançamento do Munchkin Zombies. Além de organizar um torneio, o Steve nos incumbiu com a missão de distribuir inúmeras coisas para toda a galera participante.

Aliás, a atração mesmo, o evento, girava todo em torno do Steve. Ele foi muito simpático com TODO MUNDO. Fez inúmeras piadas, assinava tudo que traziam para ele, conversava com todos. E fez uma palestra hilária, contando sobre sua experiência com jogos, como é seu método de criação, muitas piadas, trocadilhos infames e tudo o mais que se esperaria do criador do Munchkin. Além de usar camisetas berrantes, Steve também interagiu com o pessoal, chamando todo mundo para jogar Cthulhu Dice versão “live action” com dados gigantes protótipos que ele trouxe na mala. Fizemos até algumas sessões no palco e todos deliravam quando Cthulhu ganhava!

O evento foi todo bem divertido e cheio de boas surpresas: pude conversar com muita gente, conhecer pessoas e interagir. Além de jogar bastante, ter acesso a material que ainda não foi lançado para Munchkin (fizemos demos de Munchkin Axe Cop e folheamos o Munchkin Zombies 2), recebemos inúmeros autográfos do Stevie.

Claro que também houve algumas partes negativas, além do público pequeno e da notada ausência da Moonshadows comentada acima. A maior delas foi a ausência da DEVIR! Sim, a editora do Stevie no Brasil não mandou nada, não aproveitou o evento para nenhum lançamento de peso. Apenas o chefão-geral, Douglas Reis, esteve presente, discretamente, no evento. Isso, porém, incomodou o Stevie, que mencionou ter ficado insatisfeito de chegar a um evento e não ver nada seu a venda: os Munchkin estão esgotados, os livros de Gurps atrasados. O lado positivo agora é que eles pretendem mudar a relação com a Devir e, espera-se, melhorar a publicação desses materiais por aqui.

Outro lado negativo: o evento na verdade foi montado e patrocinado pelo autor do livro “Paz Guerreira” Talal Husseini. Nunca ouviu falar? Pois é, nem nós. Aliás, o tal livro parece ter vendido miraculosamente 10 mil (você leu certo DEZ MIL!) exemplares em apenas 3 meses, sendo que não havia sido feito nenhum lançamento nas principais capitais do país.

Talal é um empresário,  artista-marcial e filósofo, e seu livro é um épico que mistura todas essas coisas. Seu projeto ambicioso é o de criar  um cenário de RPG baseado no seu livro, utilizando o sistema Gurps, por isso Talal bancou a vinda do Stevie.

Okay, até ai nada de errado. O problema foi que, para se ter acesso às palestras dos convidados internacionais, tinha-se que pagar 60 reais. Esse valor incluia não apenas acesso às palestras do Stevie e do Chris Pramas, os dois dias do evento, mas também um exemplar do livro “Paz Guerreira” e um livro apresentando o cenário para Gurps, convidando os leitores a participarem do projeto. Veja bem, os livros eram BRINDES. E ainda assim tinha que pagar um valor exorbitante.

Entretanto, durante o evento, talvez devido ao público bem abaixo do esperado, as palestras foram abertas a TODOS. Um tremendo desrespeito e uma senhora jogada suja por parte da organização do evento. Também foi um golpe baixo anunciar que a palestra do Stevie era as 20h, o que levou TODO mundo do evento parar e ir assistir, afinal era nele que todos estavam interessados e botar o Talal, não anunciado, para dar a sua palestra, de 1 hora.

Tirando isso, correu tudo ótimo. Realmente todos que participaram se mostraram bastante satisfeitos com tudo que foi realizado nesses dois dias.

Aproveito para agradecer a todos que foram, especialmente aos MIBs, aos que conversaram comigo sobre tudo, aos que foram só para jogar Munchkin e ao Steve, que teve muita paciência e foi muito solícito para tudo. Acredito ter citado todos, ou a maioria, nesse post. E mais uma vez, parabéns à organização, que o World RPG Fest se mantenha como um evento forte, sempre atraindo gente nova e contribuindo para o crescimento do hobby.

Steve Jackson e eu, prontos para cantar numa dupla sertaneja!

About Igor "Bone" Toscano

Já foi MIB da SJGames, playtester, tradutor, revisor, organizador de eventos locais. Só falta mesmo publicar um jogo.
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One Response to World RPG Fest

  1. As vezes coisas ruins acontecem para que coisas boas venham a acontecer. O publico pequeno foi um alerta para não concorrer com outros eventos grandes, e a falta de livros e munchkins do SjGames foi um grande sinal de alerta pra Devir ficar esperta pra não perder essa franquia, que sem duvida nenhuma pode ser a mais lucrativa para a Devir.

    Mas ademais, tentarei acompanhar de perto os proximos eventos do sul.

    Ja saiu o numero de pessoas final do evento?

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