Rio: Cidade maravilhosa (também para os quadrinhos)

Aconteceu nos dias 09-14 de Novembro a primeira (e espera-se que haja outras) Rio Comicon, na Estação da Leopoldina, bem no centro. O maior evento de quadrinhos na capital carioca depois de quase 20 anos, com alguns nomes de peso e muitos outros nomes menos conhecidos do grande público.

A organização foi feita pela Casa 21, que há alguns anos já organiza o FIQ aqui em BH. Ou seja, em teoria, eles tem experiência no assunto, o que não explica os diversos pequenos e não tão pequenos contratempos pelos quais a organização pecou.O saldo geral, porém, foi positivo: o evento contou com quadrinistas internacionais, e não apenas americanos. Além disso, os quadrinistas independentes do brasil compareceram em peso e tiveram até mesmo um espaço de exposição dedicado a eles, com obras e biografia. Aliás, são eles quem mais ganham com esse tipo de evento,  já que tem oportunidade de divulgar seu trabalho cara a cara com o público, receber elogios, críticas e a própria experiência da viagem muitas vezes gera inspiração para trabalhos futuros.

As grandes editoras, porém, ainda não sacaram isso: o evento contava apenas com o estande de uma livraria, que intermediava a venda de todas as principais editoras do país. Vendendo apenas pelo preço de capa, não era interessante para os fãs comprar nada que não fosse de algum dos autores presentes, para ser autografado. Faltaram lançamentos para atrair o público e para apresentar os artistas. Essa crítica também é uma que vem desde o tempo do FIQ e vai se perpetuando…

Exposições: apesar de haver bastante coisa, faltou uma apresentação um pouco melhor das obras e autores.

Outro problema da organização foi o uso do espaço: a estação Leopoldina não é grande e pareceu que tudo no evento estava espalhado. As áreas para autógrafo dos autores hora era no fundo, hora no estande da Travessa que ficava do outro lado. As filas eram desorganizadas e muitas vezes o pessoal encarregado de cuidar delas atrapalhava mais do que ajudava: por exemplo, quando Fábio Moon e Gabriel Bá estavam autografando junto com Rafael Grampá começaram a dividir as filas entre quem queria autógrafo dos três e quem queria só de Grampá. Só que ele demorava mais do que os gêmeos para terminar, então o organizador pedia para a pessoa aguardar e passava ela na frente das pessoas que estava na fila para o autógrafo só do Grampá.

A bela arte de Manara: o melhor das exposições

E quando foi a vez de Milo Manara? Houve uma distribuição de senhas ninguém sabe onde nem quando. Formou-se uma fila de centenas e mesmo a organização pedindo para cada pessoa só levar um livro para autógrafo, muitos burlavam e levavam mais.

A sugestão para os próximos eventos é haver um local único apropriado para os artistas que quiserem autografar. A ideia de distribuir senhas é muito boa, deveria ser feita sempre. Assim, há garantia de que você irá receber seu autógrafo independente do tamanho e da duração da fila. Além de impedir que você fique 2 horas em uma fila para no final não conseguir o autógrafo e com isso perder todas as outras atrações do evento. E ter um espaço para os autores que queiram ficar lá, de bobeira autografando e conversando com o público. Essa foi uma das coisas que mais senti falta, especialmente depois do FIQ que teve uma área ótima para isso: os artistas ficavam sentados tomando um café e conversando, assinando.

Ainda sobre o local, algumas pessoas reclamaram que é longe, mas pelo o que eu pude perceber, é um ponto bem central e de fácil acesso: vários ônibus param perto do local, é perto da rodoviária e da ponte para Niteróis. Só que faltou botar no site quais as linhas de ônibus que chegam lá. Aliás, o site do evento demorou muito a ser atualizado com informações úteis. Faltando duas semanas para o evento, ainda tinham informações faltando, incompletas ou mal escritas.

E quando lotou, sábado, degringolou de vez: a máquina que imprimia os ingressos estragou, ficaram 10 minutos parados tentando resolver o problema e demoraram para sacar que dava pra escrever no ingresso “Meia entrada”. Já era para terem se preparado para essas eventualidades e deviam ter previsto melhor para a próxima edição o público participante.

Milo Manara: o italiano ficou autografando por horas e horas na Rio Comicon

E faltou também, claro, atividades para atrair o público mais novo: a Rio Comicon foi um evento ótimo para quem é da área de quadrinhos, para os autores, artistas e editores que puderam ir, fazer contatos. Mas apenas mediana para quem nunca leu um gibi na vida. Nomes mais conhecidos e atrações mais comerciais, workshops e atividades mais simples para os jovens e adolescentes precisam ser encorajadas. Isso também implica a inclusão do mangá nos eventos da feira: artistas japoneses, lançamentos. Essa diversificação do público é crucial para um evento que pretender ter um nível de excelência internacional.

Após tantos pontos negativos, volto a dizer que o aproveitamento total foi positivo: a exposição do Milo Manara também estava ótima, não apenas com material erótico, estava muito bem montada e apresentada. Pena que as outras não seguiram o mesmo padrão de qualidade na apresentação. Inclusive, a exposição com a história da Argentina passou despercebida por muitos, já que estava rodeando a área em que estavam as obras do artista italiano. Ficaram mesmo sem saber onde botar e não havia nenhuma sinalização de que estava ali.

E muita gente acabou participando do evento. Vários quadrinistas passearam pela estação, sempre protos a conversarem ou fazerem um desenho. As pessoas e as interações foram os pontos fortes da Rio Comicon e, provavelmente, o que deixará mais saudades.

Ano que vem tem mais!

Zumbis na sexta, cosplayers no sábado: faltou integrar os públicos e abrir para quem é fã de quadrinhos em todas as suas formas, não apenas o feijão com arroz, além de mostrar o potencial das narrativas sequenciais.

 

About Igor "Bone" Toscano

Já foi MIB da SJGames, playtester, tradutor, revisor, organizador de eventos locais. Só falta mesmo publicar um jogo.
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3 Responses to Rio: Cidade maravilhosa (também para os quadrinhos)

  1. Mana says:

    Deve ter sido muito legal *-*
    Quero ir com o Vic da próxima xD

  2. Sinceramente não gostei desta Rio Comicon, o que valeu foi só a iniciativa e a idéia de prestigiar os quadrinhos independentes. Acho que poderiam ter trazido outros convidados, desenhistas da Marvel e da DC, temos artistas nacionais excelentes que nem sequer foram convidados. Sem querer desmerecer nenhum dos excelentes convidados desta primeira edição mas quer trazer Manara e Melinda Gebbie? Beleza…mas traz também um cara fera da Marvel e um da DC. Convenção de quadrinhos tem que agradar a todos os gostos e não só uma meia dúzia de leitores “cult”. O restante do meu feedback sobre o evento pode ser visto numa matéria que escrevi pro site Universo Marvel 616.

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