Gurps 4ª Edição (Hein? De novo?)

Cá estamos mais uma vez para falar de Gurps. E da quarta edição.

Sim, de novo! Afinal, esse foi e até hoje é um dos principais posts aqui do blog. Só que dessa vez iremos falar da edição brasileira. Logo, minha preocupação não é com o conteúdo, que já foi explorado anteriormente, sim com a forma. Foco nas principais diferenças entre as edições.

E, claro, a pretensiosa tentativa de se fazer uma crítica do livro lançado pela editora Devir.Comecemos pelo começo: o livro chega com um atraso enorme. É inevitável não mencionar. Foram seis anos de espera, com diversos casos conhecidos de pessoas que mandaram e-mail para a editora querendo saber quando (ou mesmo se) o livro iria sair. Sempre davam anúncios informais que sim, estava nos planos, blá, blá.

E ainda assim, atrasou. A editora fez um anúncio que o livro sairia em Julho, o que já foi alvo de chacotas, já que perderam a chance de lançá-lo durante a RPGCon, atualmente o maior encontro de RPG do país.

Para piorar, eles tiverem problemas contratuais e tiveram que renovar (sim, depois de anunciar o livro, olha que barato!) com a SJGames. Com isso, o livro saiu apenas em setembro.

Ainda assim, parabéns pela Devir, por apostar em um público fiel. Gurps foi o primeiro RPG em português e, certamente, a maioria dos compradores do novo livro começaram ainda na década de 90.

De cara, ao folhear o livro, a mais brusca das mudanças: o material é preto e branco. Sim, as cores, que são apontadas na edição americana como a maior das mudanças, estão ausentes na versão brasileira. Há quem critique, há quem goste, mas tem-se que ver o quanto custa para lançar um livro desse porte todo colorido, com uma tiragem pequena. E a editora preferiu dessa forma, por questões de custo.

Entretanto há de se dizer que não ficou ruim. Apesar que, em alguns momentos, o texto é bem mais claro, para ficar destacado, como na edição americana. Mas ficou claro de mais, é bem ruim de ler, para os fracos de visão como eu.

Por outro lado, foi usado um sistema de marcação interessante: no livro original, cada capítulo corresponde a uma cor, de forma que folheando você consegue se localizar rapidamente. Já a Devir colocou na borda direita de cada página uma marcação com o número do capítulo, permitindo uma consulta igualmente eficiente, senão mais. Sem abrir o livro você consegue vizualisar mais ou menos onde começa e termina cada capítulo.

Logo na introdução, algo que incomoda: o texto original dos autores é acrescido de notas da editora. Dá a impressão que o autor falou aquilo, não há descriminação alguma de que aquilo são notas editoriais, uma falha que poderia ser evitada. A terceira edição tinha seus parágrafos a mais com as notas da edição brasileira.

Mais pra frente, temos uma mudança que é pequena, mas certamente vai causar estranhamento, a tradução da sigla GM (Game Master, ou Mestre do Jogo) para MJ. Pode-se até argumentar que a tradução cabe, mas em um jogo cujos atributos principais são siglas, e elas são em inglês, não custava nada manter a versão a que tantos já estão acostumados. Assim como não há motivo para mudar dano Bal para dano GeB.

Curiosamente, eles mudaram os valores númericos do sistema anglo-saxão para o sistema métrico. Ao invés de libras, temos kg, ao invés de jardas, metros. Aparentemente, todas as tabelas e cálculos foram modificados de acordo, mas é no segundo livro que isso vai ser mais explorado.

As Vantagens, Desvantagens e Perícias foram todas colocadas em ordem alfabética. Com isso, as páginas de referência foram todas alteradas, diferente da terceira edição, na qual tentou-se manter o elaborado sistema. Entretanto, algumas referências estão sim erradas, algumas vezes elas apontam para si mesmas, ao invés de irem para as páginas apropriadas. Faltou mais cuidado na revisão.

Existem alguns pequenos errinhos de ortografia, que já estão sendo devidamente caçados e, se possível, serão remetidos aos editores para uma futura reimpressão. Nada que comprometa muito a leitura, mas alguns chamam atenção, como o rodapé das pags 224 a 233, em que se lê “Magia”, ao invés de “Perícias”, que é o titulo do capítulo.

A tradução: bem, é certo que é impossível agradar a todos. Eu particularmente acho que a editora deveria ter se esforçado para manter o termo inalterado da 3ª para a 4ª edição sempre que possível, mas eles optaram por uma nova tradução em muitos casos. Não ficou ruim, é tudo questão de hábito e de gosto pessoal, portanto subjetivo.

Uma curiosidade é que o livro possui o mesmo número de páginas que a versão original. Como o texto traduzido geralmente é maior, algumas ilustrações foram diminuidas. Mas o livro é ligeiramente menor que seu irmão yankee: coisa de 1cm de comprimento, 0,5cm de altura.

No geral, um trabalho competente e satisfatório, por um bom preço, em relação ao material apresentado, acabamento, etc. Só sinto que a Devir deveria ter feito com mais calma e ter se esforçado para fazer melhor. O público brasileiro certamente merecia.

About Igor "Bone" Toscano

Já foi MIB da SJGames, playtester, tradutor, revisor, organizador de eventos locais. Só falta mesmo publicar um jogo.
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