Planetary: Arqueólogos do Impossível

Planetary é uma história em quadrinhos criada pelo britânico Warren Ellis (mesmo autor de Transmetropolitan, Frequencia Global), ilustrada pelo americano John Cassaday e colorida por Laura DePuy.

Ellis é um autor completamente irregular: ele é capaz de histórias ótimas, com muita ação, diálogos incríveis. Mas as vezes ele se perde no consumo de drogas e exagera na transhumanização. Ele também é um encrenqueiro e já rolou alguns bons quebra paus divertidos no twitter (só clicar aqui quem quiser seguí-lo). Mas quando ele acerta, ele acerta com força. É o caso de Planetary.A arte de Cassaday é um caso à parte. Além de muito bonita, tem um ritmo que cabe bem à história e a colorização valoriza demais os traços. E como a série demorou a ser concluida (tendo sofrido um hiato de anos, já que Ellis não conseguia escrever por motivos de saúde e Cassaday acabou assumindo outros compromissos e seu

Capa da edição Absolute nº 1

traço detalhista não é exatamente o que podemos chamar de rápido). dá pra notar a clara evolução dos desenhos.

Para o curioso leitor que chegou aqui e nunca leu nada sobre Planetary, uma má e uma boa notícia. A má é que, aqui no Brasil, a série foi publicada por várias editoras, cada uma em um formato diferente. E isso já tem alguns anos, então as primeiras edições são mais difíceis de serem encontradas. O melhor jeito é procurar edições gringas. Ai entra a boa notícia: a DC não só lançou o segundo volume em formato Absolute, como relançou o primeiro, que esteve esgotado por anos. Vale a pena, o formato maior valoriza a arte de Cassaday, o acabamento de luxo faz dessas edições verdadeiras preciosidades.

E, vale a pena!

Mas do que se trata a revista?

Planetary é sobre uma organização, homônima, que age no mundo inteira e possui sempre 3 agentes de campo e um Quarto Homem, misterioso, que financia tudo. A história começa quando Jakita Wagner, uma mulher super forte e rápida, treinada em várias

Capas de Planetary: sempre uma referência, além de um logo diferente a cada edição.

técnicas de combate recruta o recluso Elijah Snow para se juntar à Fundação Planetary. Além deles, o Baterista, um jovem que consegue “ver informação”, completa o time.

A história foca no misterioso Elijah. Nascido na virada do século XX, ele é uma das “Crianças do Século”: vários bebês nascidos no dia 1 de Janeiro de 1900, que são importantes no universo Wildstorm. Além de possuir habilidades especiais, eles não envelhecem.

O mais legal de Planetary, porém, é que se trata de uma história sobre o século XX, especialmente sobre o gênero dos super-heróis e sua evolução em todo o século. Para contar essa história, Ellis se aprofunda em camadas e mais camadas de referências aos quadrinhos, cinema, televisão (mídias de suma importância no século passado) e literatura fantástica. Cada edição conta com uma história fechada, mas a cada edição contém uma quantidade absurda de informação e referências, que vão desde os quadrinhos Pulp, Super-Homem, Quarteto Fantástico, personagens Vertigo e ao próprio universo Wildstorm.

Aliás, é interessante como a saga, que se passa no universo Wildstorm, lida também com a existência de mundos paralelos, e como Ellis explora o gênero. E com isso ele cria a “história secreta

Viagens de Ellis: o multiverso como um floco de neve. Multidimensionalidade em duas dimensões

do século XX”, vista de um ponto de vista em que tudo aquilo é real.

Ao mesmo tempo, a trama principal prende a atenção, mas ao final de cada história, várias perguntas permanecem e cabe ao leitor refletir sobre a natureza da informação lida. E Planetary é uma HQ com MUITA informação, que a cada releitura permite novas descobertas. Uma leitura prazerosa, para fãs antigos e para novatos que busquem se aprofundar na essência do gênero de super-heróis.

About Igor "Bone" Toscano

Já foi MIB da SJGames, playtester, tradutor, revisor, organizador de eventos locais. Só falta mesmo publicar um jogo.
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One Response to Planetary: Arqueólogos do Impossível

  1. Jacques says:

    Ainda não li Planetary, mas muita gente diz que é uma ótima hq.
    Realmente, Ellis é bem irregular, as hqs dos X-Men dele são fraquíssimas, enquanto outras como Transmetropolitan são clássicos absolutos.
    Valeu a dica.
    Até mais.

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